julho, 2007


30
jul 07

Como você escreve no seu blog?

escrever.jpgHá algum tempo atrás, o Gino Netto me convidou para que eu falasse como eu escrevo no meu blog.

Creio que todo blogueiro segue um método, algo como um ritual, uma rotina, para que seus textos fluam da maneira que lhe convir. Neste post, falarei um pouco de que maneira faço “nascerem” os meus posts.

1) Escolho o tema para o artigo

O primeiro e essencial passo para escrever os meus textos é definir um tema interessante. Geralmente, faço isso ao longo do dia, anotando em um caderno dois ou mais temas, e escolhendo um no final das contas, para ser trabalhado. O outro, se julgar interessante, deixo como pendência.

Se no outro dia ainda achar o tema sobressalente interessante, não titubeio: parto logo para a escrita.

2) Ligo o player e ouço uma boa música

Pode parecer controverso, mas não consigo escrever bem se não estiver ouvindo uma boa música. Para escrever, gosto de ouvir uma boa Electronic Music, ou mesmo algum bom Metal, às vezes passando até pelo New Age, como [BP]Deep Forest[/BP], [BP]Enya[/BP], e outros mais. A música, estando em background, auxilia no relaxamento e na inspiração de bons textos.

3) Leio bastante e anoto tudo o que for interessante

O terceiro passo é andar por aí em busca de informação relevante, algo que sirva para o tema que já tenho em mente. Só abro o Zoundry quando já tenho algo pra escrever, do contrário, me perco em minhas próprias palavras.

Além do mais, anoto tudo o que penso, com palavras-chave, pois o pensamento às vezes vem tão forte que o próprio punho não acompanha a minha linha de raciocínio.

4) Defino um bom título

Ao contrário do Gino, eu não deixo o título por último, ao contrário. Com o tema já em mente, o título é o primeiro a aparecer, e a partir dele escrevo o artigo.

O título, para mim, serve como uma trilha, que não deixa que você se empolgue e fuja do tema proposto. Sempre que sinto que estou fugindo do tema, olho para ele e retomo o fio da meada (às vezes, tenho o péssimo hábito de prestar atenção a 10 coisas ao mesmo tempo… Nada que um GTD não resolva).

5) Por vezes, escolho uma boa imagem para ilustrar o post

Quando sinto a necessidade, recorro ao Google Images para encontrar alguma imagem que tenha uma relação ao menos subliminar com o meu texto. Imagens fazem bem à leitura, dão vida e enriquecem o texto.

6) Escrevo com o dicionário do lado

Com todas as ferramentas em mão, parto para a escrita efetiva do texto. Deixo a minha mente me levar, junto à música, e quando me dou conta, já estou com o texto pronto. Por vezes, fico em dúvida da grafia de uma ou duas palavras, ou mesmo do seu significado, e recorro ao dicionário para sanar a minha dúvida, ou ainda ao Google.

Pois é, pode não parecer, mas o Google é um parceirão na hora de escrever textos. Quando estou em dúvida da grafia de uma palavra, por exemplo, digito-a no Google e, se estiver correta, surgirão milhões de resultados da mesma. Se não, a quantidade de resultados é bem menor, e, de quebra, levo uma dica do tipo: Você não queria dizer isso?

Exatamente. Obrigado, tio Google.

7) Reviso tudo o que escrevi, e faço as modificações necessárias

Após concluir o texto, reviso tudo, e modifico o que for necessário. Vez em quando, foi uma frase que ficou sem sentido, uma palavra que ficou em falta, etc. Depois, é só publicar.

Pronto. É isso aí. Você provavelmente deve ter se identificado (ou não) com muita coisa que escrevi aqui, pois também deve seguir o seu método pessoal para dar luz a seus textos.

Então? Como você escreve?


25
jul 07

Adsense nos feeds do FeedBurner e a discriminação com anúncios

Não, não é um hoax.

Que o FeedBurner é propriedade da Google, muita gente já sabia. Mas o melhor está bem próximo de vir.

O Steve Olechowski, co-fundador do FeedBurner, disse em seu blog que falta muito pouco para integrar o Adsense aos feeds gerenciados pelo FeedBurner. Isso significa que os leitores fiéis também poderão visualizar anúncios em seus agregadores prediletos.

Com essa notícia, veremos o que irá acontecer daqui pra frente. Será que os blogs ganharão ou perderão mais leitores em virtude dos anúncios nos feeds?

Existe um velho tabu de que leitores fiéis não clicam em anúncios. Algo como “leitores fiéis são mais inteligentes para se esquivar das propagandas”.

De fato, leitores clicam menos em anúncios, não pelo fato de fugirem da propaganda, mas sim pelo fato de já estarem acostumados com a disposição dos anúncios do blog e irem “direto” ao conteúdo, não dando muita – ou nenhuma – atenção às propagandas, ou sejam, elas passam despercebidas. Quando ocorre de o leitor “fugir” da publicidade, é porque algum blogueiro (se não o próprio autor) age com uma certa discriminação com a monetização do blog alheio, e acaba passando essa “tensão” para o leitor – calma que eu explico mais embaixo.

Não lembro onde, mas li em algum lugar, assim que estava começando este blog, pessoas comentando sobre um artigo que falava sobre monetização e anúncios colocados no meio do texto. A resposta para o artigo era algo como “puxa, e eu acabei clicando sem saber!”, ou então, “vou me policiar para não clicar mais em anúncios”.

Pára tudo! Quer dizer então que agora, clicar em anúncios é considerado algo impuro, digno de ter o seu coração arrancado com uma colherzinha de plástico, daquelas que você come bolo em aniversário de criança? Nospheratt Jânio Sarmento)

Ou ainda: que só clicam nos anúncios os “paraquedistas burros e ingênuos”, que não sabem distinguir os anúncios do conteúdo do site, clicando em tudo que aparece pela frente? Desde quando propaganda e publicidade é algo ruim para a humanidade?

Sejam sinceros comigo (eu vou querer a resposta nos comentários): quando vocês vêem algum anúncio relevante em algum blog, o que vocês fazem?

a) Anoto a URL, abro uma nova janela (ou aba) do navegador, digito o endereço e vejo o que quero.

b) Clico com o botão direito no anúncio, copio a URL, abro uma nova janela (ou aba) do navegador, colo a URL, apago os dados do script até deixar só a URL do site e (ufa!) vejo o que quero.

c) Não clico (apesar de ficar mor-ren-do de vontade), pois não gosto de propaganda em blogs. Bem, pelo menos, não gosto de propaganda em outros blogs a não ser o meu – caso você tenha um.

d) Clico, ora bolas!

A depender do caso, eu não considero propaganda em blogs algo ruim, muito pelo contrário. A propaganda oferece ao leitor uma possibilidade de agregar algo novo e interessante à sua navegação. Daí o fato de os paraquedistas clicarem mais em anúncios: eles são bem mais espontâneos que os próprios “leitores tensionados”.

Os paraquedistas enxergam a propaganda como um bônus, algo como “se você gostou daqui, olhe isso que parece ser bom”, e gostam do que encontram. Só não sei se a palavra para descrever isso seria burrice ou ingenuidade, como muita gente descreve. Aliás, nenhuma das duas. O cúmulo da avareza é deixar de clicar em algo que você achou interessante, só para “não correr o risco” de o autor ganhar algo em cima daquilo, enquanto o dinheiro para as campanhas publicitárias sequer saiu do seu bolso!

Se você começar a prestar mais atenção nos anúncios dos blogs a partir de agora, verá que encontra muita coisa legal por aí afora, a depender da pauta do blog, é claro. E se o anunciante está disposto a gastar algum dinheiro para divulgar aquilo, é mais um sinal de que você tem grandes chances de gostar do vai que encontrar.

Enquanto os egos inflam e as ameaças de blogueiro vs. blogueiro aumentam, considere se despreocupar com tudo isso e navegar à vontade.

Só não reclame quando eu colocar o Adsense nos feeds daqui.


20
jul 07

Rapidinha: Acéfalos NUNCA entenderão como funciona um blog

Assim como muitos blogs, disponho aqui uma opção para quem deseja receber os comentários de diversos artigos com toda conveniência em seu e-mail, útil para quando respondo aos comentários e o leitor não deseja estar sempre entrando no post à procura de réplicas.

Ainda sobre o ocorrido de ontem, acabei de receber uma mensagem na minha caixa de entrada, provavelmente a resposta de algum paraquedista que subscreveu-se naquele mesmo artigo da Gol.

A mensagem veio sem conteúdo, mas, certamente, o assunto exprimia por si só a incapacidade mental da criatura, juntamente com a sua fome de clicar em qualquer quadrado que vê pela frente:

“por favor mande mensagens em portuquês obrigado”

É, meu amigo. É por essas e outras que sites e blogs destinados à RBD, Big Brother e Fotos de Fulana na Playboy rendem uma fortuna.

Ê, mundo cão!


19
jul 07

Hype’s Power: a estranha obsessão pela polêmica e por tudo que é proibido

Hello,

We had to firewall the following IPs for making excessive connections to your site pimentacomdende.com, this caused your site to slow down and the apache to crash.

The IPs were (# on the left is the connections being made)

527 200.153.220.43

530 200.232.227.36

580 201.9.197.111

598 201.24.156.58

600 201.86.32.252

761 200.168.103.73

793 216.242.8.30

811 201.22.154.194

985 201.29.36.107

1044 189.15.90.214

We have blocked it from connecting the your server so that it will not bring your site down again. If this is not an IP that you want blocked please let us know what it is being used for and we will see what we can work out.

Foi com esta “singela” mensagem que a Dreamhost me comunicou que o Pimenta ficaria fora do ar até o final do dia, só voltando na manhã de hoje. Ou seja: o número que você vê à esquerda, em vermelho, é a quantidade de acessos por único IP, num espaço de poucas horas, aqui no blog. Por causa do ocorrido, a Dreamhost insistiu para que eu colocasse o Pimenta num servidor dedicado.

Não sabia que tinha desafetos. Ainda mais 10.

O que aconteceu foi que, estranhamente, este blog, que tem uma média baixa de 300 visitantes únicos por dia, passou a ter quase 3000, só na manhã de ontem. Fuçando um pouco, descobri o motivo:

Um post antigo, falando sobre as fotos da Gol, estava atraindo gente interessada em ver as fotos do acidente recém-ocorrido com o avião da TAM. E a absurda maioria era advinda do Google Images, buscando por “fotos do acidente da TAM”. Por causa disso, o servidor Apache no qual estou hospedado entrou em colapso, dando erros de bad_httpd_conf, só sendo normalizado agora, exatamente às 18:05h do dia de hoje. Caso você entrasse no Google Images e buscasse por “Fotos do Acidente da TAM”, a foto mais escatológica que apareceria seria a do meu post da Gol.

O ser humano tem uma estranha atração por tudo aquilo que é proibido ou polêmico, de alguma forma. Eu, por exemplo, já fiz excelentes textos aqui – deixando a modéstia de lado, mas que receberam pouco mais de 3 comentários. No entanto, blogs que têm uma visitação igual (ou até menor) que a minha, mas que tratam de algum assunto polêmico, lotam-se de comentários. A curiosidade e a possibilidade de poder acompanhar a “novelinha” de perto sempre atrairá visitantes, isso é fatídico. E isso nunca irá mudar.

Na Internet, a informação não tem limites. E toda essa “liberdade” em obter o que a mídia tradicional não reproduz, faz com que o internauta tenha um sentimento de total superioridade perante os fatos, sinta-se quase como um Deus. Por isso, não é de se estranhar que o Google seja a empresa que mais lucra com tudo isso.

Sempre que precisamos obter qualquer tipo de informação, recorremos ao “oráculo”. Lá, ficam registrados os nossos anseios, nossas taras e nossos desejos mais íntimos (ops… não vá pensar besteira comigo, rapaz!). Além do mais, brasileiro A-D-O-R-A uma fofoca, adora exclusividade, e adora saber tudo de primeira. Mesmo que aquela informação não passe de um hoax.

Essa cultura hype explica o sucesso de sites como o Youtube e até mesmo o próprio Orkut (sem falar no Big Brother), pois a sociedade brasileira tem uma necessidade quase que sobrenatural de saber a quantas andam as vidas alheias. E para isso, vale fuçar as comunidades daquele seu amigo que parece bicha, ler TODOS os recados da sua namorada pra saber se você ganhou um chapéu de touro, ou mesmo ver a Eliana (dos dedinhos) com outros olhos – e fazer um trocadilho inevitável com os dedinhos, não necessariamente nesta mesma ordem.

Hoje, jornalismo imparcial é quase coisa do passado. As pessoas acreditam mais numa foto colocada na Internet do que na própria afirmação de que ela não existe. Se não fosse essa obsessão – e a Internet, com certeza a Cicarelli não teria dado o que falar. Ela teria dado muito mais.

Tudo isso trouxe à tona uma daquelas velhas indagações: será que vale a pena investir num site que trate de polêmicas e hypes?

Sim. Vale. Se você for um mercenário que não esteja nem aí pra o que os outros vão achar de você. Meus ganhos triplicaram nesta referência acidental, e eu já estou ficando com saudade desse novo hype, pra ser sincero.

Por outro lado, você terá que passar o resto dos teus dias orando para que aconteça o próximo… bem… o próximo hype, e você ganhe em cima daquilo. Só tenha cuidado para os seus 15 minutos de fama não lhe subir à cabeça, e você acabe desejando que o próximo jogador do Palmeiras saia do armário e diga que é gay, que aquela atriz pegue sífilis ou, na pior das hipóteses, que algum próximo avião caia por aí (ok, não tão próximo).

Além do mais, hypes deste tipo só atrai gente que não sabe escrever sequer uma palavra de duas letras. Por isso, pelo nível das pessoas que lêem o Pimenta, procuro não publicar mais coisas deste tipo: para não juntar o joio com o trigo. Prefiro atrair leitores com meu conteúdo, e não somente com meus títulos.

Por essas e outras, blogs só serão acessados em massa pelos brasileiros se todos eles criarem polêmicas e houvesse um novo hype por dia, ou se o nível de educação e gosto pela leitura autêntica aumentasse no nosso país.

Considere praticável somente a primeira opção.


18
jul 07

Acidente com o vôo 3054 da TAM: até os limites da negligência

Na noite desta terça-feira, dia 17, ocorreu mais um acidente aéreo com o vôo JJ 3054 da TAM, que derrapou na recém-reformada (?) pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, matando, pelo menos, 190 pessoas, entre passageiros, tripulantes e funcionários do vôo e do prédio TAM Express, que foi colidido pelo avião, após uma tentativa frustada de arremetida por parte do piloto da aeronave. O acidente se deu, pelo visto, por uma derrapagem na pista do aeroporto, visto a chuva que caiu em São Paulo nos últimos 3 dias.

O mais interessante de tudo isso é que foram gastos mais de R$ 18 milhões para que a pista fosse reformada, e a mesma foi liberada sem que fosse feito o processo conhecido como grooving da pista, ou seja, fossem colocadas as ranhuras necessárias para evitar a aquaplanagem. Foi como um trabalho feito às pressas (para não dizer nas coxas), ou mesmo um “pequeno” detalhe que “não iria atrapalhar o funcionamento do aeroporto”… mas que culminou num acidente mais trágico do que o famigerado acidente da Gol, se levarmos em conta o número de vítimas.

Tudo isso nos deixa com o sentimento de total impotência perante o que vem acontecendo não só com o nosso país, mas também com o mundo. O ser humano tem se tornado uma raça cada vez mais doutrinada pelos ensinamentos de S. Tomé, onde ainda é preciso ver para crer, onde a proatividade é colocada em segundo plano, onde a negligência é sinônimo de trabalho, e onde há dinheiro na jogada, existe mesquinharia e corrupção. O mundo tem seguido a filosofia milenar do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

E, por causa disto, mais e mais tragédias como esta vêm acontecendo. Basta um tempo, procurar e punir os ditos culpados, mostrar à sociedade que já está tudo “consertado”, e voltamos a viver nossas vidas, à mercê do sistema.

Punir os culpados? Impossível. Os culpados são muitos. É você ou eu que não fiscaliza, que não cobra, que cruza os braços perante a corrupção (e não age, efetivamente), que ainda tem o instinto histórico-protecionista de que nós, reles cidadãos, não sabemos nem podemos andar com as nossas próprias pernas.

Precisamos de uma revolução. Uma revolução que seja capaz de mudar o mundo, que comece na educação dos nossos filhos, e que vá terminar num mundo um pouco melhor para nossos netos e nossa geração. Apontar o erro não funciona, mas sim acender a chama da indulgência e da coragem dentro de nós, e contaminar a todos, através dos nossos atos.

O sentimento de medo não levará a nada, mas sim a coragem de enfrentar o sistema e o risco de ser até mesmo visto como um louco. É fazer a sua parte, independente da sua raça, credo, visão política ou seja-lá-o-que-for. É fazer acontecer, ou como já dizia David Allen, Get Things Done.

Deixo aqui as minhas sinceras condolências para todas as vítimas do acidente, e para os seus familiares. A pior coisa é ouvir o nome de alguém querido na lista de vítimas, e culminar em um gemido surdo de impotência.

É… Precisamos punir os culpados.

[BL]Livros de Auto-Ajuda, Indenizações por Acidente do Trabalho Ou Doença Ocupacional, Pornopolítica, A Arte de Fazer Acontecer[/BL]