Acidente com o vôo 3054 da TAM: até os limites da negligência

 
 

Na noite desta terça-feira, dia 17, ocorreu mais um acidente aéreo com o vôo JJ 3054 da TAM, que derrapou na recém-reformada (?) pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, matando, pelo menos, 190 pessoas, entre passageiros, tripulantes e funcionários do vôo e do prédio TAM Express, que foi colidido pelo avião, após uma tentativa frustada de arremetida por parte do piloto da aeronave. O acidente se deu, pelo visto, por uma derrapagem na pista do aeroporto, visto a chuva que caiu em São Paulo nos últimos 3 dias.

O mais interessante de tudo isso é que foram gastos mais de R$ 18 milhões para que a pista fosse reformada, e a mesma foi liberada sem que fosse feito o processo conhecido como grooving da pista, ou seja, fossem colocadas as ranhuras necessárias para evitar a aquaplanagem. Foi como um trabalho feito às pressas (para não dizer nas coxas), ou mesmo um “pequeno” detalhe que “não iria atrapalhar o funcionamento do aeroporto”… mas que culminou num acidente mais trágico do que o famigerado acidente da Gol, se levarmos em conta o número de vítimas.

Tudo isso nos deixa com o sentimento de total impotência perante o que vem acontecendo não só com o nosso país, mas também com o mundo. O ser humano tem se tornado uma raça cada vez mais doutrinada pelos ensinamentos de S. Tomé, onde ainda é preciso ver para crer, onde a proatividade é colocada em segundo plano, onde a negligência é sinônimo de trabalho, e onde há dinheiro na jogada, existe mesquinharia e corrupção. O mundo tem seguido a filosofia milenar do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

E, por causa disto, mais e mais tragédias como esta vêm acontecendo. Basta um tempo, procurar e punir os ditos culpados, mostrar à sociedade que já está tudo “consertado”, e voltamos a viver nossas vidas, à mercê do sistema.

Punir os culpados? Impossível. Os culpados são muitos. É você ou eu que não fiscaliza, que não cobra, que cruza os braços perante a corrupção (e não age, efetivamente), que ainda tem o instinto histórico-protecionista de que nós, reles cidadãos, não sabemos nem podemos andar com as nossas próprias pernas.

Precisamos de uma revolução. Uma revolução que seja capaz de mudar o mundo, que comece na educação dos nossos filhos, e que vá terminar num mundo um pouco melhor para nossos netos e nossa geração. Apontar o erro não funciona, mas sim acender a chama da indulgência e da coragem dentro de nós, e contaminar a todos, através dos nossos atos.

O sentimento de medo não levará a nada, mas sim a coragem de enfrentar o sistema e o risco de ser até mesmo visto como um louco. É fazer a sua parte, independente da sua raça, credo, visão política ou seja-lá-o-que-for. É fazer acontecer, ou como já dizia David Allen, Get Things Done.

Deixo aqui as minhas sinceras condolências para todas as vítimas do acidente, e para os seus familiares. A pior coisa é ouvir o nome de alguém querido na lista de vítimas, e culminar em um gemido surdo de impotência.

É… Precisamos punir os culpados.

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