
Caramba.
Confesso para vocês: nunca, mas nunca mesmo, vi algo parecido. Não tenho nenhum conhecimento de um artista brasileiro que tenha tamanha coragem de se expor como ele é, de praticamente tirar a roupa na frente dos fãs, e foda-se o resto.
O Jammil e Uma Noites, banda bem conhecida daqui da Bahia, mantém um blog que, segundo eles, é um diário oficial. Este blog é mantido por um músico da banda, o Manno Góes (na foto do blog, é o terceiro, da esquerda para a direita) – não sei o que ele toca na banda, pois não curto axé, e não acompanho o Jammil.
O Manno escreve excelentemente bem. Puta merda, o cara é foda. Não conhecia os seus textos nem a sua inteligência sarcástica, mas confesso que foi paixão à primeira vista – sem viadagem. O cara se expõe, se diverte, fuma, bebe, faz o diabo a quatro, junto com os seus textos, e convida o seu fã (fã???) a viajar, se embebedar e dar risada das ironias da vida junto com ele. Já estou viciado.
O Manno Góes fez um texto de dar inveja em qualquer blogueiro, seja pela sua coragem, seja pela sua sagacidade, pela sua cota de ironia, pelo seu conteúdo. Foi um dos melhores e mais verdadeiros textos que já li, como diziam os Mamonas, “neste momento, até hoje, em toda a minha vida”.
Super-homem? Não, cara. Você, realmente, é o homem de ferro. Não tem pra ninguém. Nem que surja mais uma trilogia do homem-aranha, você continuará sendo o homem de ferro. E, não sei bem se era a sua intenção… Mas ganhou mais um fã. Se não pela música que você toca, pelo conteúdo que você produz.
Se esconder e sorrir é para os fracos. Mostrar quem é, sem sunguinhas vermelhas ou cor-de-rosa, só cabe aos homens-de-ferro. Sempre me perguntei: é o Super-Homem que se finge de Clark Kent, ou o Clark Kent que se finge de Super-Homem?
Você me convenceu. Não acreditava em quadrinhos ou histórias da carochinha, mas você É o homem-de-ferro. Talvez, não um super-herói, mas com certeza, um super herói.
Acho que preciso dar mais uma colher de chá aos artistas da Bahia. Preciso tomar mais algumas doses de uísque. Ouviram, estrelas? Talvez seja a hora de quebrar os meus paradigmas, e olhar além dos disfarces.
Mas… Puta merda, Manno Góes! Isso não vale, cara! Um super-herói não pode mostrar a sua identidade secreta. Você quebrou a lei! Você não pode ensinar o truque, senão a mágica perde a graça! Cadê aquele óculos redondos, aqueles cabelos partidos nos meios e aquela cara de otário? Porra, bicho, heróis de verdade não se revelam. Morrem a favor de seus ideais secretos. Mas você… Porra, cara, você pisou na bola. Isso não se faz, tira a graça da coisa. Será que você não entende que o que precisamos é de um super-herói? Pessoas comuns não salvam outras, Manno. Não têm super-poderes. Não são merda nenhuma, só um bando de esperançosos e confiantes em seus super-heróis. E sinto lhe dizer, mas agora não tem mais volta: você é igual a esse bando de esperançosos de merda, bicho. Não dá mais para voltar atrás.
Você quebrou a lei, cara.
Mas continua sendo um homem de ferro.


