Indagações


4
set 08

Protele tudo e seja infeliz

Um dos maiores defeitos que uma pessoa pode ter é protelar ações. Diariamente, problemas e mais problemas surgem, alguns aparentemente simples, mas que exigem uma solução – seja ela grande ou pequena, mas exige.

O mesmo se dá para as oportunidades. Por vezes, algumas delas passam diante dos nossos olhos e chega a ser engraçado o descaso que fazemos delas, sejam elas uma proposta de emprego, uma idéia interessante – que sequer colocamos no papel, um pedido de parceria, whatever.

Eu tenho essa mania. Sou péssimo para protelar as coisas, costumo deixar tudo “para amanhã” ou pra cima da hora. E o pior que nem é por comodismo: minha mente tem o péssimo hábito de achar que vou conseguir completar a minha tarefa aos 45 min do segundo tempo. Bizarro isso.

Sem querer, essa minha mania acaba refletindo nas minhas tarefas: vide o Pimenta sem atualizações constantes, os meus projetos na gaveta – e eu sem meter a mão na massa alegando falta de tempo e as tarefas do dia-a-dia que vou deixando passar para fazer depois (tirar a poeira do quarto por exemplo).

Sim, coisas relativamente simples e que tomam pouco tempo. Ah, mas a nossa mente… Cria uma dificuldade tremenda para aquilo, uma barreira do tamanho de um prédio de 300 andares, e fazer aquilo torna-se algo maçante, ou então, tão simples que é até idiotice perder tempo para completar a tarefa.

Isso é péssimo, principalmente para um blogueiro. Não, não é pelo fato de deixar de atualizar o blog, mas sim por perder o timing de determinados assuntos que poderiam fazer a diferença, sejam eles um serviço novo, uma descoberta interessante, um conhecimento compartilhado. E quando perde-se o timing, já era, o assunto já está batido demais para ser postado.

Vou dar um exemplo prático para vocês: uso a blip.fm já há um tempinho. Fui um dos primeiros brazucas a entrar por lá – digo, dessa leva. Os blips eram na sua imensa maioria em inglês, inclusive, blipava em inglês também, o que era bem legal.

Havia pensado em postar sobre o quanto é legal estar por lá, mas protelei. Tipo, “ah, depois posto”… E aí, o Brasil descobriu o blip, e falar sobre este serviço já se tornou algo obsoleto, é como chover no molhado.

Antes, ter mais de 50 ou 100 ouvintes era um mérito! Caramba, ver aquela estrelinha ao lado do seu avatar fazia bem para o ego, era feito para poucos. Porém, com a ploriferação do serviço… Agora é algo normal, simples, sem graça. Isso é fatídico. O foco acaba saíndo de quem tem a estrela para quem não tem.

O mesmo foi com alguns macetes que descobri para o WordPress. Caramba, tenho tantos posts na gaveta, e só falta ânimo para colocá-los aqui!

Não é a primeira vez que passo por esta dificuldade em postar. No último ano, isso se tornou algo constante, e eu fui protelando, protelando… e hoje, tenho um certo arrependimento por não postar freqüentemente, por não responder aos e-mails e comentários, e por não comentar em outros blogs, pelo simples fato de… achar que nunca tenho tempo. Por falar nisso, em um dos posts que fiz antigamente sobre esta minha dificuldade, um dos leitores daqui do Pimenta sugeriu que eu lesse o Getting Things Done e fosse feliz. Beleza, comecei a ler, mas parei nas primeiras páginas, alegando falta de… tempo. Chega a ser engraçado, para não dizer bizarro, estas armadilhas que uma mente contaminada pelo “amanhã eu faço” é capaz de fazer.

Tenho várias idéias – algumas delas bem interessantes – para pôr em prática. Uma delas é voltar a ser o Hilder de antigamente, postar pra caramba aqui, me divertir como sempre, comentar em outros blogs… Enfim, voltar a adotar a política da boa vizinhança. Pretendo colocar esta idéia em prática imediatamente, e voltar a sentir aquela falta tremenda quando ficava 1 dia sem postar por aqui.

Para finalizar, fica o meu conselho: não protele nada, nunca. Tenha sempre o hábito de concluir as suas pendências, por mais simples que elas possam parecer, sejam elas um post, uma tarefa, ou mesmo uma saída para tomar um ar.

Uma mente habituada à ação é muito mais sadia que uma mente habituada à reação  - e sim, é uma pieguice necessária. :)


25
abr 08

Bahia não é só vatapá com camarão. Tem coca-cola e uísque!

jammil

Caramba.

Confesso para vocês: nunca, mas nunca mesmo, vi algo parecido. Não tenho nenhum conhecimento de um artista brasileiro que tenha tamanha coragem de se expor como ele é, de praticamente tirar a roupa na frente dos fãs, e foda-se o resto.

O Jammil e Uma Noites, banda bem conhecida daqui da Bahia, mantém um blog que, segundo eles, é um diário oficial. Este blog é mantido por um músico da banda, o Manno Góes (na foto do blog, é o terceiro, da esquerda para a direita) – não sei o que ele toca na banda, pois não curto axé, e não acompanho o Jammil.

O Manno escreve excelentemente bem. Puta merda, o cara é foda. Não conhecia os seus textos nem a sua inteligência sarcástica, mas confesso que foi paixão à primeira vista – sem viadagem. O cara se expõe, se diverte, fuma, bebe, faz o diabo a quatro, junto com os seus textos, e convida o seu fã (fã???) a viajar, se embebedar e dar risada das ironias da vida junto com ele. Já estou viciado.

O Manno Góes fez um texto de dar inveja em qualquer blogueiro, seja pela sua coragem, seja pela sua sagacidade, pela sua cota de ironia, pelo seu conteúdo. Foi um dos melhores e mais verdadeiros textos que já li, como diziam os Mamonas, “neste momento, até hoje, em toda a minha vida”.

Super-homem? Não, cara. Você, realmente, é o homem de ferro. Não tem pra ninguém. Nem que surja mais uma trilogia do homem-aranha, você continuará sendo o homem de ferro. E, não sei bem se era a sua intenção… Mas ganhou mais um fã. Se não pela música que você toca, pelo conteúdo que você produz.

Se esconder e sorrir é para os fracos. Mostrar quem é, sem sunguinhas vermelhas ou cor-de-rosa, só cabe aos homens-de-ferro. Sempre me perguntei: é o Super-Homem que se finge de Clark Kent, ou o Clark Kent que se finge de Super-Homem?

Você me convenceu. Não acreditava em quadrinhos ou histórias da carochinha, mas você É o homem-de-ferro. Talvez, não um super-herói, mas com certeza, um super herói.

Acho que preciso dar mais uma colher de chá aos artistas da Bahia. Preciso tomar mais algumas doses de uísque. Ouviram, estrelas? Talvez seja a hora de quebrar os meus paradigmas, e olhar além dos disfarces.

Mas… Puta merda, Manno Góes! Isso não vale, cara! Um super-herói não pode mostrar a sua identidade secreta. Você quebrou a lei! Você não pode ensinar o truque, senão a mágica perde a graça! Cadê aquele óculos redondos, aqueles cabelos partidos nos meios e aquela cara de otário? Porra, bicho, heróis de verdade não se revelam. Morrem a favor de seus ideais secretos. Mas você… Porra, cara, você pisou na bola. Isso não se faz, tira a graça da coisa. Será que você não entende que o que precisamos é de um super-herói? Pessoas comuns não salvam outras, Manno. Não têm super-poderes. Não são merda nenhuma, só um bando de esperançosos e confiantes em seus super-heróis. E sinto lhe dizer, mas agora não tem mais volta: você é igual a esse bando de esperançosos de merda, bicho. Não dá mais para voltar atrás.

Você quebrou a lei, cara.

Mas continua sendo um homem de ferro.


24
dez 07

Feliz Natal, e um ótimo 2008!!!

Árvore

Aos amigos, leitores, visitantes, paraquedistas, trolls, fãs, e etc… :D Desejo um excelente Natal a todos vocês, de coração, e um 2008 cheio de esperança, paz, muita saúde, muito dinheiro (que não faz mal a ninguém), e que todos os seus sonhos possam se tornar realidade.

De antemão, agradeço pela companhia de vocês durante este ano que está indo embora, e conto com o estreitamento destes laços no ano vindouro. Agradeço pelas amizades que obtive, pelas vitórias alcançadas (aqui e também na vida offline), pela confiança, e espero que todas as mágoas, turbulências e energias negativas fiquem para trás.

Independente da sua crença, renove-se. Perdoe. Ame. Faça isso por você e pela humanidade, e seja recompensado pela alegria que brota das boas ações, e da paz que você sente ao ter a certeza de que está fazendo algo de bom por você e pelo próximo. Acredite que existe sim uma estrela que brilha para você, que te guia, que não te cobra nunca, e que acredita em você incondicionalmente, mesmo que você não acredite nela.

Não deixe a sua vida passar diante de teus olhos, e procure aprender com os seus erros (se arrepender, nunca!).

Arrisque. Arrisque sempre! Não tenha medo de ser feliz. Não tenha medo do amanhã. Seja você acima de tudo, não deixe que te imponham quem você deve ser, ou que você deve fazer. Siga o seu coração, pois só ele é capaz de mudar a nossa razão… E não o contrário. Acredite no seu potencial, você é capaz de fazer tudo! Basta acreditar, que o Universo se encarrega de tornar os seus sonhos realidade. Agradeça à Vida sempre, simplesmente por ter sido presenteado com ela, e por ela. Mas faça isso sempre, e não somente nesta época do ano.

Boas Festas, Bom Natal, e um excelente Ano Novo.

São os meus sinceros votos, ainda que esteja meio sumido, mas nunca esquecido.

E que venham mais 1000 anos!


28
ago 07

O dia em que eu quase jogo tudo pra cima

owned!.jpgNão, não é brincadeira não.

Sabe-se lá Deus se eu estava manifestado por algum espírito zombeteiro advindo da Bahia de Todos os Santos (leia-se Gantois e afins), mas o fato é que eu estava um pouco estressado com as coisas por aqui, e quase quase a casa caiu.

Sinceramente, estava saturado de blogs que falam, essencialmente, de blogs. Foi aí que me dei conta de que estava olhando para o meu próprio umbigo, e quase levando isso aqui a sério demais.

Sempre que eu tento levar esta arte de blogar muito a sério, acabo assim: tensionado (epa, mas não venha me fazer nenhuma piadinha com ‘tensão’ não, viu?). Linkar os amigos, ajudar os leitores, e compartilhar experiências é ótimo. Mas olhar somente para o próprio umbigo, ou seja, fechar-se na blogosfera, é ruim e torna-se algo massante, principalmente quando o conteúdo já está aí, acessível para todos, e ainda mais agora que a blogosfera – ou melhor, todo mundo, incluindo os leitores e paraquedistas – está amadurecendo e sabendo “andar com as próprias pernas”.

Uma vez, rolou na lista uma discussão destas (não me lembro quando nem quem iniciou), ou seja, alguém perguntava-se até quando a blogosfera iria olhar para o seu próprio umbigo, fechando-se nos seus textos, e não abrindo espaço para paraquedistas. Começo a questionar o verdadeiro valor dos blogs: se eu escrevo para um público seleto, sou inteligente, gente boa, bem visto. Se eu escrevo para massas, sou aproveitador, mercenário e só penso no dinheiro.

Sim, eu penso muito no dinheiro. Mas o que me intriga é se é realmente válido esse esforço em escrever somente para leitores – creio que 99% dos daqui são blogueiros – e deixar a chance de atrair e conquistar mais “paraquedistas” – sim, entre aspas – descer ralo abaixo.

Como diz o (mau) ditado, é caindo que se aprende. E é verdade! Lembram-se daquele blogueiro que não gostava de assuntos generalistas, e que achava que um blog tinha que ter um bom “nível” de textos para ser, efetivamente, um blog? Pois é. Tornou-se obsoleto.

Os meus resultados com o meu mais novo filho estão se mostrando bem animadores, tanto a nível financeiro como a nível de paraquedistas. Até agora, mesmo com assuntos relativamente genéricos, não chegou um que escreva você com ç ou algo parecido. E, quer saber? EU TÔ ADORANDO ISSO!

Coisas como esta têm que acontecer para fazer com que todos os seus paradigmas caiam por terra. Acho que por isso, mais do que nunca, minha dica para hoje é:

Nunca caia na asneira de acreditar demais em seus paradigmas: pode ser que um dia você descubra algo novo e interessante, e se você não estiver atento o bastante para mudar na hora certa e disposto a sacrificar os seus valores, você pode cair na armadilha que você mesmo criou. Nos blogs, assim como na vida, só a mudança é constante.

Voltando ao assunto da blogosfera estar olhando demais para o seu próprio umbigo (e eu estar levando esta de escrever sobre blogs muito a sério, e esquecendo um pouco do meu humor): algumas vezes, assim como no sexo, você tem que variar. Senão, você só vai terminar igual a uma pessoa:

umbigo_lula3.jpg

Às vezes, o melhor mesmo é fazer igual à Martha Suplicy: Relaxar e gozar. E que o Google não me ouça: a depender da situação, literalmente!


14
ago 07

Palmas!!! Para quem mesmo?

chimp.jpgParabéns, blogosfera.

Nunca vi tantos blogueiros pensando juntos, em busca de um mesmo ideal. Isso é sinal de que estamos atentos a todos os fatos, e que a união faz a força.

A propaganda do Estadão conseguiu fazer um verdadeiro buzz na blogosfera, e como o Alessandro considerou em um comentário neste artigo, “existe algo por aqui”, de fato.

Mas… Pera um pouco…

Ontem, o Jânio postou algo que me deixou com a pulga atrás da orelha. Estaria a blogosfera correta em ter se defendido, ou não fazemos nada além de cair como patinhos na jogada de marketing deles e de pagar mico? – desculpa, mas o trocadilho foi inevitável.

A Campanha

O Estadão investiu dinheiro nisso. E não foi pouco. Desmotivar a leitura de blogs colocando um macaco copiador foi no mínimo, equivocado, para não dizer infantil. Quem acompanha blogs, sabe o quanto eles são importantes, mais isso já virou pleonasmo, e não vou repetir o que muita gente (inclusive eu) já falou por aí.

Mas, pense comigo: e se a psicologia reversa foi aplicada contra a gente?

Fomos cutucados, e acabamos explodindo. Seria melhor mesmo ter ignorado o fato e ter passado por cima da bosta, e não pisado nela, como o Cardoso sugeriu? Estou começando a pensar que os infantis, neste caso, fomos nós.

O Plano Maquiavélico

Imagine que você é diretor de marketing de um jornal relativamente bem conceituado. Daí, você desejar alavancar as vendas, partindo para um público alvo com pontos de vista formados, fomentador de discussões. Onde este público está concentrado? Nos blogs, claro, pois estes leitores gostam de ponderar os fatos.

Mas mídia falar sobre mídia, principalmente quando as duas são naturalmente incompatíveis, é complicado. Fazer uma campanha de marketing em cima disso (pagando resenhas), certamente afastará leitores, ao invés de atrair. Seria como se estendesse a bandeira branca e gritasse publicamente “eu me rendo!“. Assim, pensando em uma boa estratégia de propaganda barata e direta, começa a surgir a campanha intitulada “falem mal, mas falem de mim“.

Como conseguir uma atenção maior deste público alvo, sem gastar um tostão com resenhas? Simples: chamando os detentores da mídia de feios, que eles, num impulso primitivo – olha os macacos aí -, defenderão a sua aparência, como se já não bastasse o que espelho mostrasse. Ou você esqueceu que polêmica sempre atrai atenção?

Resumindo: A campanha do Estadão foi a ironia mais bem feita que já existiu, o hoax do século. As atenções não estão para quem foi ofendido, mas sim para quem ofendeu. Eles queriam nos desequilibrar, mostrar o quanto somos frágeis e o quanto precisamos de auto-afirmação, e agora, sorriem brindando suas taças cheias de Pol Roger Brut. Genial.

Em vista disso tudo, começo a ver a blogosfera com outros olhos:

large_duckshoot.jpg

Detalhe: nós somos os patos. E eu estou no meio.

O que fazer daqui pra frente? Ignorar ou defender-se? Eis a questão. O que está feito está feito, portanto, o melhor é deixar o tempo passar, e aguardar que ele cure todas as feridas, principalmente feridas escritas com ÃO. Já que nos demos conta de que o nosso potencial é, de fato, grande, que tal se utilizarmos toda essa energia reprimida em prol do bem em comum, como por exemplo, acabar com os acéfalos do Orkut e com o RBD?

Ah, já ia me esquecendo. Sem acéfalos, não há hypes. Então, deixa pra lá.

E esta foi a última macaquice, Jânio. Juro!