Vários blogs estão falando sobre a propaganda que está sendo veiculada pelo Estadão, onde eles referem-se aos blogueiros como macaquinhos que só sabem teclar CTRL + C e CTRL + V.
Quer saber? EU TÔ ADORANDO.
Calma, calma. Não vá você pensar que eu estou adorando o fato de eu (e uma porrada de gente) ser chamado de macaco, mas sim porque esta foi a melhor afirmação de que eles estão morrendo de medo dos blogs.
Sim. Blogs são parciais, têm opinião e se destacam das outras mídias, justamente pelo fato de abrirem espaço para o leitor também exprimir a sua opinião perante os fatos. E, como geralmente surgem vários pontos de vista sobre um determinado assunto, o leitor também tem a arbitrariedade de escolher aquilo que lhe convir.
Jornais (mesmo eletrônicos) mostram a notícia: blogs debatem sobre ela. E em tempos de bons leitores (mais atentos, com mais opiniões e, por que não, mais inteligentes), nada faz mais a diferença do que esse espaço em que o leitor pode ler a notícia – e debater em tempo real sobre ela.
Voltando à propaganda, o Estadão usou uma artimanha que trará muita vantagem para nós, blogueiros: a psicologia reversa.
O ser humano tem uma incrível atração pelo desconhecido, ou até mesmo por aquilo que muitos julgam que é errado. É como se o nosso ego só estivesse satisfeito após experimentar o “proibido” e constatar que aquilo não é bom, por nossos próprios méritos.
Então, fazendo uma propaganda desta, com tamanho sensacionalismo, o Estadão não fez nada além de colocar toda a atenção do seu público alvo nos blogs. Ou você acha que os seus leitores irão dizer “eu não vou ler blogs porque o Estadão disse que é uma coisa feia!”?
Portanto, agora, cabe a nós fazermos jus ao que somos (blogueiros, não macacos) e aproveitar ao máximo este ótimo momento que o Estadão nos propiciou, causando polêmica em torno de nós. Ou você esqueceu que polêmica sempre gera visitação?
Não temos o que reclamar.
Só não gostei de ser chamado de macaco. Fiquei tão chateado, mas tão chateado que fiz um pequeno protesto diretamente para o Estadão, que tenho certeza que deixará eles de cabelo em pé, tamanha a indignação posta em minhas palavras. Se você não entender, certamente eles entenderão. Veja aqui.
Pelo que entendi, parece que eles simplesmente menosprezam a “blogosfera”. Não sei se dou risada ou se fico com dó deles.
Agradou também o modo como os blogueiros se mobilizaram apesar da dispersão natural desse veículo. Foi uma forma de dizer que existe algo por aqui, afinal de contas. Abraços.
AGORA QUE VOCÊ JÁ LEU A VERSÃO DO GENERAL CUSTER,
LEIA A DOS ÍNDIOS.
Nos ultimos dias, vimos reverberar na blogosfera ataques e defesas à nova
campanha do Estadão, feita pela Talent. Tudo começou nos blogs de publicidade e nos pegou
totalmente de surpresa, principalmente por que o subtexto que foi espalhado
por aí, de que o Estadão é contra os Blogs, não foi colocado em nenhuma das
peças da campanha. Isso seria extremamente incoerente, já que o Estadão sabe
que os blogs não só fazem parte da sociedade como do próprio Grupo Estado.
Sendo assim, vamos analisar a questão mais de perto pra saber se houve alguma
falha na comunicação da campanha.
Os filmes começam com uma vinheta , World Wierd Web, que já identificam o propósito
de fazer humor com a parte estranha, sem noção, da web.
No filme em que o rapaz lê o blog de economia do Bruno, o cientista diz que o
macaquinho já está copiando e colando textos pela web. É impressionante, mas a
reação que esperávamos dos blogueiros é exatamente contrária ao que aconteceu.
Quantas vezes, você blogueiro já não encontrou seu texto por aí, fora de
contexto, faltando partes e sem os créditos? No outro filme da campanha, dois
ruivos colocam informações mentirosas na internet pra sair ganhando alguma
coisa. As meninas que são enganadas pelo hoax nunca falam que encontraram
essas informações num blog e, do outro lado, um dos ruivos diz apenas “pronto,
tá na net”. Nesse caso, nada de blogs. Na mídia impressa acontece algo
parecido, apenas um do três anúncios diz abertamente “Blog”, os outros dois
usam os termos “página” e “site”.
Desta forma , nós posicionamos o estadao.com em linha com a proposta de
credibilidade, conteúdo de qualidade e compromisso do Grupo Estado. Os sites,
blogs, veículos e pessoas que frequentam o lado “luz” da internet , obviamente
, não devem se sentir atingidos por uma crítica ao lado “escuro” do ambiente
virtual, da mesma forma que um bom jogador de futebol não deve se sentir
desvalorizado por ter um colega perna-de-pau ou quebrador de joelhos. Ou será
que os publicitários que primeiro criticaram nosso trabalho consideraram
uma campanha difamatória aos publicitários o fato
de um dono de agência ganhar as manchetes por servir de intermediário na
distribuição de fortunas em verbas públicas?
Alguém em sã consciência pode defender incondicionalmente todo o conteúdo da
internet , com seus hoaxes , pegadinhas, pornografias, ideologias escondidas,
baixarias, falsos gurus, falsários, tomadores de dinheiro e tempo, Maranhão do
Sul na wikipedia, alterações da história e interesses privados disfarçados de
clamor do internauta?
No seminário da Microsoft este ano, em Cannes, os dados apresentados levaram
a uma inconteste conclusão: a de que a internet, como as
regiões de uma cidade, vai se dividir em duas. Uma útil, crível ,
inteligente, prestadora de serviço, informativa e confiável. Outra que é como
uma rua escura e sem policiamento: vai quem quer, sob seu próprio risco. Vamos
sempre promover o estadão.com como parte da primeira metade.
Separar o joio do trigo na internet deveria ser do interesse de qualquer
cidadão de bem.
João Livi
Diretor de Criação- Talent
joaolivi@talent.com.br